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Coisas de Blogueiro





Terça-feira, Junho 29, 2004


O primeiro mês do resto da nossa vida






Francis Hime
Adriana Calcanhoto

"Um Seqüestrador"

Um sequestrador
Francis Hime / Vinícius de Moraes / Adriana Calcanhoto

Que verso poderia
Ganhar seu amor?
Que verso me traria você
De onde for?
Estilo caudaloso,
Barroco, conservador?
Ou tipo nunca visto
Inaugurador?

Popular
Amador
Radiofônico
Verso que com ou sem poesia
Te daria o que você
Mais desejasse ter
Rimas ricas,
Maluquices obscenas

Popular
Amador
Pragmático
Verso pra te trazer
Pros meus braços
Um verso seqüestrador


... Ela olhou a enorme lua que flutuava no céu, sorriu e simplesmente suspirou, porque nada mais poderia ter qualquer importância além daquele instante, daquele vôo. Foi quando aquela nota juntou-se ao verso exato, seqüestrador, harmonizando a dissonância das palavras que percorriam compassos e recriavam intervalos em infinitas escalas.

Passaram-se dias, noites, semanas, e mesmo diante dos corpos exaustos, as almas, sábias, teimam em desafiar a melancólica incomunicabilidade de Bandeira e permanecem entrelaçadas: a vida, sem você, não faz o menor sentido.


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Sexta-feira, Junho 25, 2004


Do outro lado da rua...




(Charge do Sinfrônio)


Faz-se necessário falar de um filme escrito especialmente para a Fernanda Montenegro: Do Outro Lado da Rua. Mas quem ousaria dizer que é bem dirigido vendo um elenco que não carece de qualquer direção? Um filme sob medida, para quem anseia interpretações magistrais, numa estória simples, sem mistérios, tal e qual a vida dos ditos Humanos, quando a vida, a opção pela vida, é maior que qualquer temor.

Depois do filme, cabe uma profunda reflexão, mas poucos ousam falar daquela coisa "chamada amor" que atualmente é negada e renegada em qualquer idade, em qualquer tempo e lugar no mundo capitalista, do consumo, das aparências, e, especialmente, quando a maturidade traz a velhice e, oficialmente, transforma-se em crime hediondo. Parece que, por injunção, a vida só vale e muito pouco vale quando se é moço, como se fosse ainda menor do que foi, do que é, do que pode ser, do que o breve suspiro do Homem em seu caminhar sobre a face da Terra...

Pois que Molusco Vendilhaço Traíra da Silva tenha a coragem de reescrever a "estória", já que lhe faltaram amígdalas para escrever a História, e que faça a "adaptação" do roteiro, um remake da Imprevidência Social, uma espécie de "Do Outro Lado da Rua da Amargura", ou seja lá o que for, e lá coloque personagens que, com um salário mínimo "fomematográfico" e indecente de R$ 260,00, consigam permanecer vivos, que possam pagar o preço exorbitante do plano de saúde, sustentar a máfia dos Laboratórios, que consigam morar e até comer... Acorda povo! Eh...Eh...Eh...


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Quarta-feira, Junho 23, 2004


Um político sem medo




(Charge do Novaes)


A solução democrática
Carlos Chagas - Jornalista

Mais do que estar na História do Brasil, Leonel Brizola é a História do Brasil. Não foi. Será. Continua e continuará. Quando as forças da reação se insurgiram, numa hora em que tudo parecia perdido, foi ele que levantou a bandeira da legalidade, resgatando a honra e a dignidade do Brasil. Postou-se contra o golpe e sustentou a Constituição, quando a maioria das forças políticas buscava acomodar-se.

A 26 de agosto de 1961, apoiado apenas na Brigada Gaúcha, fechou o Rio Grande e instalou a Rede da Legalidade, negando-se a aceitar a determinação dos ministros militares contra a posse do vice-presidente João Goulart, após a renúncia do presidente Jânio Quadros. Porto Alegre ficou plena dos ''provisórios'', peões vindos a cavalo, do interior, para lutar pelo impossível.

O Palácio Piratini, cercado de sacos de areia, era o último bastião da democracia ferida de morte. Foi quando os sargentos da base aérea de Canoas negaram-se a permitir que levantassem vôo os caças com ordens para bombardear a sede do governo gaúcho. Logo depois, um jipe saiu da sede do comando do 3º Exército, até então o grande mudo, lá no fim da Rua da Praia. Sob vaias estrondosas, o veículo subiu até a sede do governo local. Um motorista e um velhinho ao lado, farda de campanha, capacete e cantil. Era o general Machado Lopes, que a multidão imaginou prender o governador e acabar com a aventura inútil. Ouvia-se voar as moscas. De repente, abrem-se as portas da sacada do segundo andar e surge Leonel Brizola, blusão de couro em vez do terno e gravata, metralhadora INA a tiracolo. Num gesto amplo, ele convida o general a postar-se ao seu lado. Abraçam-se e fazem o ''v'' da vitória. Era a adesão do 3º Exército à causa da legalidade.

Aquela imagem jamais se apagará da História, mais do que da lembrança de quantos a assistíamos, imóveis, nos jardins lá em baixo. Reencontrava-se o Brasil consigo mesmo, graças à resistência de um homem determinado a não permitir que o medo vencesse a esperança.

Depois, as coisas seguiram seu curso. A vitória do golpe, quatro anos mais tarde. O exílio de quem não se entregou, mesmo entregue ao sacrifício. O retorno e a luta pela recuperação nacional. A eleição nas urnas fluminenses. A perda da presidência da República por conta do radicalismo daqueles que não estavam preparados para vencer com ele. Até ontem, a coerência de quem não se curvou ao modelo que até hoje nos assola.

Leonel Brizola não partiu, ontem. Ficou. Permanecerá para sempre. Cada vez que se imagine estar tudo perdido, que não há saída, sua lembrança bastará para a certeza de que, no fim de tudo, prevalecerá a solução democrática. Basta não ter medo.


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Sábado, Junho 19, 2004


O bom e eterno Chico




Inacreditavelmente, entre 322 primorosas canções, conseguiram eleger "O que será" como a "mais bela música" do Francisco, um sujeito tímido, verdadeiro gênio. Certamente, nessa tal eleição, ficaram faltando só as outras 321.

Pois é, esse garoto, poeta, autor de 10 musicais e 7 livros, que completa 60 anos na "Flor da Idade", vai ter que engolir mais essa estranha homenagem "Global". Eh...Eh...Eh...



Milton e Chico
"O Que Será
À Flor da Pele


O que será (À flor da pele)
Chico Buarque/1976

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo


O que será (À flor da Terra)
Chico Buarque/1976

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Quarta-feira, Junho 16, 2004


O Arraiá e as Quadrilhas




(Charge do Kacio)


Foi ao som de Zezé di Camargo que amargamos o desfile de diversas quadrilhas, abrilhantadas pelo acobertamento torto do ponto e vírgula na granja das mamatas: Quadrilha dos Sonegadores do INSS; Quadrilha dos Vampiros do Ministério da Saúde, assessorada pelo Gomes da Silva que nada tem de sardinha para o tubarão Humberto Costa; Quadrilha do Tesoureiro "Delúbio Azul", contabilizando as "straussianas" e ilícitas contribuições para as campanhas do PT; Quadrilha da Oca Civil, que na maloca é comandada pela fidelidade canina de Zé Dirceu, com coreografia de Waldomiro Diniz que também participa da Quadrilha dos Corretores Bingo-Zoológicos, e Quadrilha dos Meirelleanos de FHC, estilo Vendilhão Palocci, lesando eternamente a Pátria e engordando a Quadrilha dos Especuladores e Agiotas.

Assim foi a festa, no Arraiá daquela caipirada emergente, completamente deslumbrada, convenientemente camuflada na pseudo-amnésia das promessas de campanha, bem ao inútil e fútil estilo paralítico de uma Vera Marisa Letícia Loiola da vida, com muito quentão escocês, assando batata doce da Prússia, esfregando muito melado até lambuzar o belo e taludo linguição, recém saído da fogueira, para esquentar ainda mais o fiofó já tão ardido da esperança deste povo que, de tão agraciado pelo cinismo da trupe, cultiva a mais vasta coleção de democráticas, políticas e estelares tapiocas eleitorais. PT nunca mais! Fora PTSDB! PSDB nem morto! Acorda povo! Eh...Eh...Eh...


E quem tá dentro não larga o osso...




(Charge do Melado)



Chico e Dominguinhos
"Isto Aqui Tá Bom Demais"


Isto Aqui Tá Bom Demais
(Dominguinhos e Nando Cordel)

Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Pois é
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Vou me perder, me afogar no teu amor
Vou disputar, me lambuzar nesse calor
Te agarrar pra descontar minha paixão
Aproveitar o gosto dessa animação
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai
Pois é
Olha, que isso aqui tá muito bom
Isso aqui tá bom demais
Olha, quem tá fora quer entrar
Mas quem tá dentro não sai


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Quarta-feira, Junho 09, 2004


Um novo Sol...




(Charge do Iotti)


A cada novo discurso de Luis Inerte da Silva mais promessas, mais asneiras e mais fictícios pseudo-programas sociais, que trocam seis por meia dúzia sem nada acrescentar: do Fome Zero das barrigas ainda famintas ao Primeiro Emprego que continua em zero, do Recruta Zero formando soldados que batem continência com martelo na mão ao Bolsa Furada Família que não sai da fase do cadastramento, culminado com a mais nova atração circense, o Farmácia Pra Pular por uma aspirina.

Quem em sã consciência e perfeito juízo ainda consegue acreditar na criação de 10 milhões de novos postos de trabalho, no salário mínimo equivalente a U$ 200,00, no rompimento com o FMI, na erradicação de uma doença chamada fome, no fim da miséria, na dignidade da aposentadoria, no milagre do crescimento, em qualquer investimento no setor produtivo em um país que remunera a especulação com o maior spread do mundo, na Alca bem longe daqui?

Na verdade, a estrela vermelha, que parecia luzir e indicar um caminho alternativo, sucumbe lentamente no buraco negro do continuismo, sugada pela antimatéria da inércia abissal, revelando os componentes de um universo perverso que se nutre eternamente das falsas promessas, do cinismo, do fisiologismo, do nepotismo, da corrupção, da maracutaia, do interesse na manutenção do próprio umbigo no poder a qualquer preço.

Mas a esperança que venceu o medo cansou da fedentina do governo do Vergonha na Cara Zero, abraçou novamente seus ideais, mudou de partido e de endereço, pedindo luz, calor e asilo no P-Sol. "Te cuida, Molusquinho", pois quem brinca com fogo pode morrer queimado e quem ri por último sempre ri melhor. Eh...Eh...Eh...


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


Terça-feira, Junho 01, 2004


Antecipando o "grande final"...




(Charge do Myrria)


E a cambada de vermes que agora passeia sob a lua cheia, no desfrute da mais ampla, total e irrestrita liberdade, mantinha, em governos passados e no atual governo do Partido dos Traíras, uma espécie de "secos e molhados", atuando em todas as compras do Ministério da Saúde e engordando uma caixa preta de financiamento de campanhas eleitorais, cumprindo a máxima do "é dando que se recebe".

Mas a Polícia Federal, que não arrumou nada com a última greve e ainda mantém sob sigilo o nome dos políticos beneficiados em diversos estados pelas doações dos larápios, promete matar a cobra e mostrar o pau e investiga se houve mais uma das famosas "ações entre amigos", bem ao estilo Waldomiro, nas campanhas presidenciais.

Certamente, qualquer falcatrua sempre acaba desaguando no mar de lama que sustenta e nutre os nossos representantes eleitos, quer roubem para si ou para "engrandecimento" do partido, e, muito antes do que se imagina, estarão todos unidos e trabalhando para que esse episódio também termine em pizza, ou melhor, em churrasco, com muita birita escocesa, charuto cubano e Zeca Pagodinho ao vivo lá na Granja do Torto.

E a óbvia conclusão é que a ventrilóquia corrupção, tão velha quanto sua irmã gêmea, a tal da difícil vida fácil, perpetua-se, alternando o poder entre os mesmos dos diversos partidos, maquiando e insuflando discursos, mudando somente de posição os bonecos, enquanto quem sempre termina pagando o pato, pastando e de quatro é o povo. Acorda povo! Pau neles, galera! Eh...Eh...Eh...

NOTA: Nobres amigos, a aparelhagem de última geração da redação do Morcego no Ar (um lentium SEM, que depois do "overclock" ficou com o corpinho e a CPU de um bem bronzeado lentiun II) literalmente pegou fogo, impossibilitando as visitas. Em breve estaremos novamente voando pela rede. Um grande e fraterno abraço a todos.


Morceguinhos(as) que se manifestaram: ......


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